Terapias Holísticas, Massagens, Benzedura e Bem-estar em Porto Alegre.

As Flores e os Espinhos da Benzedeira


As benzedeiras surgiram no Brasil com a chegada dos Jesuítas, no século XVI.
A benzeção, como é conhecido o trabalho que elas desenvolvem, teve origem com os pajés indígenas e aflorou-se com intensidade no período Colonial Brasileiro, principalmente onde se predominou a colonização com mão de obra escrava.
Dentre os fatores que propiciaram o desenvolvimento dessa manifestação destaca-se à precariedade da vida material, evidenciada pela raridade de médicos, de cirurgiões, de produtos farmacêuticos e ao sincretismo dos povos em geral.

Minha relação com as Benzedeiras e com o mundo espiritual começou muito cedo. Toda a minha família sempre teve o costume de levar os bebês para benzer contra o quebranto ou alguma desordem física ou emocional.

 
 

A Dona Flora, uma senhora magrinha, de cabelos finos na altura da nuca e que sempre usava vestidos floridos com botões; era a preferida da cidade. Lembro como se fosse hoje do piso que dava acesso ao quarto onde o benzimento acontecia. O estralo das madeiras formava com o brilho refletido do Sol um caminho sagrado de percorrer.
Lá no fundo, perto do fogão a lenha, ela sentava-se na cadeira com o ramo entre os dedos e lá pelas tantas sacava um dente de alho e fazia, na testa de quem estivesse sentado à sua frente, o sinal da cruz.
Dona Flora morreu aos 89 anos e só não benzeu nos três últimos por motivos de doença.
Ali era um lugar especial. Ninguém entendia como ela fazia aquela reunião de rezas, palavras e gestos, mas todos fechavam os olhos como consentimento e respeito.

 
 

As mulheres curadoras fazem parte de um antigo arquétipo da humanidade. Em todas as lendas e mitos, quando há alguém doente ou com dores, sempre aparece uma mulher idosa para oferecer um chazinho, fazer uma compressa, dar um conselho sábio ou simplesmente um abraço forte. Na verdade, a mulher idosa é um arquétipo da 'curadora', também chamada nos mitos de Grande Mãe ou nas religiões de matriz africana de Pretas Velhas.

Aprender a benzedura difere grandemente de estudos e práticas da medicina convencional, por exemplo. Não há livros, nem notas de aprovação. No entanto, os testes são outros. E geralmente se dão por meio da dor, do sofrimento, da doença e da morte de entes queridos. Assim o benzedor adquire acesso ao universo das realidades extraordinárias. É e nesse mundo onde os espíritos guardiões e santos protetores se unem a eles que forma o terreno onde se pode obter o conhecimento, a experiência, as qualificações e o poder para auxiliar os demais.

A escritora e poetisa Patrícia Monagham disse certa vez que "devido às mágoas serem inevitáveis na vida humana, todos os caminhos espirituais oferecem cerimônias de cura para ajudar a consertar o que estiver quebrado no nosso interior. Aquelas que seguem o caminho do Deus interior criam suas próprias cerimônias de cura, que podem ser simples ou complexas; podem ocupar poucos minutos ou uma hora; podem ser feitas sozinhas ou com outras pessoas. Quando tomar consciência de sua própria energia de cura, você será capaz de criar rituais para quaisquer propósitos que necessite."

 
 

Como sou apaixonada por leitura e sempre fui muito curiosa por ervas, velas, rituais, flores, cantos, mistérios da alma, encarnações, sentido da vida e tudo que pudesse explicar os sentimentos, as dores e o porquê da alegria não ser para sempre; estudei e estudo muito comprando livros nos sebos da Rua Riachuelo e nos cestos de saldo da Feira do Livro de Porto Alegre.
Devoro livros e participo de muitos cursos e palestras. Tudo para aprender sobre esse universo que tanto me fascina.
Já montei grupos de oração. Fui à Aurora, a Figueira, a encontros de terapeutas e desde 2000 atendo como terapeuta holística.

E por uma espécie de chamado comecei a sentir que minhas massagens estavam sendo acompanhadas de intuições, visões e passagens de vida. No início ficava quieta até para não assustar os clientes, no entanto, em algumas situações não conseguia me controlar. Com o tempo desenvolvi formas de transmitir essas orientações.

E ali foi se criando uma energia onde casos e relatos daqueles guardado bem no fundo do coração vinham à tona ora por palavras, ora por choro, ou por dores físicas musculares.
Era nesse momento que fazia minhas rezas. Buscava inspiração na Dona Flora para que, de alguma forma, pudesse ajudar o ser humano que estava na minha frente.

Como disse a escritora e psicanalista Clarissa Pinkola, toda mulher parece com uma árvore. Nas camadas mais profundas de sua alma ela abriga raízes vitais que puxam a energia das profundezas para cima, para nutrir suas folhas, flores e frutos. Ninguém compreende de onde uma mulher retira tanta força, tanta esperança, tanta vida. Mesmo quando são cortadas, tolhidas, retalhadas, de suas raízes ainda nascem brotos que vão trazer tudo de volta à vida outra vez.

 
 

O que a Dona Flora e as benzedeiras fazem é um conjunto de práticas e de conhecimentos tradicionais de cura popularmente conhecidos como "benzimentos, curas, rezas, simpatias, orações, esfregações, puxados, banhos, costuras de rendidura, massagens e o que mais o coração mandar no momento que estiver ali, se doando para fazer o bem ao outro".
Em comum, além da humildade e do olhar doce, as benzedeiras têm alguns modos de orar, benzendo os pacientes com as mãos ou com plantas, em uma linguagem própria, uma espécie de cochicho ininteligível que mantêm com Deus ou com os (as) santos (as) que são devotas.

As benzedeiras evocam santos católicos, entidades de umbanda e personagens folclóricos brasileiros. Santa Luzia é evocada para curar males da visão. Com fé em Santa Brígida, a garantia do fim da dor de cabeça. Se engasgar, é só rogar por São Brás. O Preto Velho tira o mau-olhado de crianças. Aliar-se a São Jorge afasta ferimentos provenientes das lâminas frias de armas brancas. A Escrava Anastácia livra das perseguições e injustiças.

 
 

Eu trago nos braços uma vida linda, mas cheia de flores e espinhos em proporções iguais.
Já dei muita atenção a esses espinhos, as flores caídas no chão e a terra seca quando a chuva faltava.
Hoje, prefiro olhar o formato diferente de cada pétala, o broto que nasce de um ramo seco, o desenho formado na terra pela natureza, escutar o barulho do vento e se chover dançar com a água caindo no rosto.
Tenho muitas crenças, muitos amores, um respeito imenso por todos os seres vivos, gratidão por esta oportunidade de tentar fazer diferente e uma felicidade no coração por poder servir. Inspirei-me no trabalho das Benzedeiras - essas mulheres sábias, curandeiras e extremamente amorosas - para criar esse Centro de Terapias Holísticas e bem-estar, porque fui criada ao redor delas, porque meus filhos foram abençoados pelas mãos de várias delas e porque sei que toda mulher carrega dentro de si o poder de curar, de acalentar e de transformar o mundo em um lugar onde os espinhos não devem chamar mais atenção que as flores.

Agende seu horário!
(51) 999263 - 1316

Benzedeira - Centro de Terapias Holísticas e bem-estar em Porto Alegre.


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